Angola. Seca, fome e pobreza extrema no sul do País, alerta P. Adriano Kanjamba
Anastácio Sasembele – Luanda, Angola
Na Província angolana do Cuando Cubango, há localidades onde a falta de alimentos continua a forçar as populações a recorrerem a frutos silvestres para escaparem da morte, o exemplo concreto vem do Município do Cuito Cuanavale, onde está o Pe. Adriano Mulundo Kanjamba, único sacerdote na região e pároco da única comunidade católica dedicada a Nossa Senhora dos Mártires.
A seca e a fome agudizada pela pobreza extrema fustiga as populações desta localidade, considerada histórica, porque foi aí, onde entre 1987 a 1988 foi travada a conhecida Batalha do Cuito Cuanavale. Para o Pe. Kajamba, “hoje a batalha é contra a seca, a fome e a pobreza extrema”.
“Aqui a pobreza é factual ... há gente que não conhece o sabor do sal de cozinha, sem falar do óleo vegetal. O único recurso que a população tem é a terra e quando não chove, como tem acontecido nos últimos tempos, o cenário é de um verdadeiro calvário, e o recurso são os frutos silvestres, fundamentalmente nas localidades de “Lupiri e Baixo-Longa”, acrescentou o Sacerdote.
A nível da Igreja, a estrutura física da paróquia de Nossa Senhora dos Mártires foi engolida pelas ravinas, as celebrações acontecem ao ar livre, já no sector da saúde, a população vive da Providência divina, recorre a raízes, disse o Pe. Adriano Mulundo Kanjamba, que lamentou igualmente a qualidade de ensino beliscada pela falta de escolas.
Apesar destas dificuldades o Sacerdote do clero diocesano de Menongue (Cuando Cubango) alimentou esperança em dias melhores, esta é a mensagem que diariamente procura partilhar com os fiéis e admitiu que as suas palavras nem sempre são acolhidas com consistência, porque os problemas são quase recorrentes.
A longínqua região Cuito Cuanavale dista cerca de 189 quilómetros de Menongue, a capital do Cuando Cubango, segunda maior Província de Angola com uma área de 199.049 km2.
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