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A totalidade das imagens e modelos da Igreja

"Todas essas imagens que vimos anteriormente devem ser vistas em sua totalidade, entendidas na perspectiva da verdadeira essência do mistério da Igreja: a comunhão dos seus membros com Deus e de uns com os outros. Existir em comunhão e em comunidade é exigência da vida cristã. O essencial do mistério da Igreja é ser ela uma comunhão com o Pai, o Filho, no Espírito Santo, e ela viver em comunhão fraterna."

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

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A partir da quarta-feira 7 de abril de 2021, padre Gerson Schmidt* passou a dedicar uma série de programas à origem da concepção da Igreja na Constituição Dogmática Lumen Gentium, promulgada pelo Papa Paulo VI em 21 de novembro de 1964. Neste importante documento do Concílio Vaticano II, a Igreja é apresentada por diversas figuras, como Esposa de Cristo, rebanho de Cristo, lavoura ou campo de Deus, construção ou casa de Deus, todas amplamente exploradas. Concluindo a série de programas dedicados a este tema, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre nos fala no programa de hoje sobre “a totalidade das imagens e modelos da Igreja”:

"Em nossos programas procuramos explorar as diversas imagens e comparativas da Igreja utilizadas sobretudo na Lumen Gentium. Todas as imagens e figuras da Igreja descritas na Constituição Conciliar da Lumen Gentium, visam redescobrir a verdadeira identidade, a essência e a missão da Igreja recebida por Jesus Cristo.

 

Todas essas imagens precisam ser vistas na sua globalidade e profundidade, não somente de forma parcial ou individual. O Catecismo chama essas imagens de símbolos. “Na Sagrada Escritura, encontramos uma multidão de imagens e figuras interligadas, pelas quais a revelação fala do mistério inesgotável da Igreja. As imagens tiradas do Antigo Testamento constituem variações de uma ideia de fundo, a do “Povo de Deus". No Novo Testamento, todas essas imagens entram um novo centro pelo fato de Cristo tornar-se "a Cabeça” deste povo, que é, então, seu Corpo. Em torno deste centro agruparam-se imagens "tiradas ou da vida pastoril ou da vida dos campos, ou do trabalho de construção ou da família e do casamento"(CIC, 753).

Dada a diversidade de imagens e de modelos, são apropriados novos sentidos e essência da Igreja. Mas não podemos utilizar tão somente uma dessas imagens e ignorar todas as outras. Existe o perigo constante de que, em virtude da acentuação unilateral de determinadas imagens eclesiológicas, a realidade da Igreja fique obscurecida e seja assim distorcida sua verdadeira essência . A imagem de “Povo de Deus” pode propiciar que ela passe a ser entendida somente como “povo”, sem Deus e reduzida aos aspectos sociais e estruturais dessa imagem. Se reduzirmos a Igreja à sua função social, apenas perceberemos nela a sua humanidade. A noção da Igreja como Povo de Deus exerceu um monopólio no pós-concilio, tomando, definitivamente, o lugar do Corpo Místico de Cristo. A eclesiologia adquiriu uma impostação decididamente histórico-salvífica, conforme a reflexão pós-conciliar, havendo uma excessiva concentração em torno da noção da Igreja como Povo de Deus. As outras imagens que se encontram nos números 6 e 7 da Lumen Gentium foram esquecidas, havendo um desequilíbrio com graves consequências. O sínodo de 1985 colocou em relevo a unidade dos dois primeiros capítulos da Lumen gentium, porque sua separação resultaria a uma socialização da Igreja, enquanto seu mistério seria esquecido.

A imagem da Igreja como “corpo místico de Cristo” pode levá-la a ser compreendida tão somente como “corpo”, reduzida aos aspectos orgânicos dessa imagem. A vinculação das várias partes desse Corpo Místico se dá, sobretudo, com sua cabeça, que na Igreja é Cristo. Por meio d’Ele e por Ele é que todas as partes recebem vida. Esquecer isso, seria deturpar a identidade da Igreja vista por essa comparativa.

Todas essas imagens que vimos anteriormente devem ser vistas em sua totalidade, entendidas na perspectiva da verdadeira essência do mistério da Igreja: a comunhão dos seus membros com Deus e de uns com os outros. Existir em comunhão e em comunidade é exigência da vida cristã. O essencial do mistério da Igreja é ser ela uma comunhão com o Pai, o Filho, no Espírito Santo, e ela viver em comunhão fraterna."

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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