Papa a jesuítas de Malta: a Igreja do futuro é pequena, mas evangelizadora
Andressa Collet – Vatican News
Na edição desta quinta-feira (14) da revista “Civiltà Cattolica” foi publicada a conversa que o Papa Francisco teve com os 38 confrades da Companhia de Jesus de Malta, por ocasião da viagem apostólica ao país. O diretor da revista, Pe. Antonio Spadaro, reportou as perguntas dos jesuítas e as respostas do Pontífice feitas na conversa do domingo, 3 de abril, às 7h20 na Nunciatura Apostólica, que durou cerca de 40 minutos. Entre os presentes estava o Pe. Roberto Del Riccio, provincial da Província Euro-Mediterrânea, que inclui Malta, Itália, Albânia e Romênia.
Benedetto XVI, um profeta
Na conversa livre e espontânea, como está acostumado a fazer nesses encontros, o Papa foi logo questionado de como será a Igreja do futuro e, na primeira reflexão, citou Bento XVI:
“Papa Bento XVI foi um profeta desta Igreja do futuro, uma Igreja que se tornará menor, que irá perder muitos privilégios, será mais humilde e autêntica e encontrará energia para o essencial. Será uma Igreja mais espiritual, mais pobre e menos política: uma Igreja dos pequenos. Bento XVI, quando era bispo, havia dito: vamos nos preparar para ser uma Igreja menor. Esta é uma de suas mais ricas intuições.”
Mas, com o problema da diminuição das vocações, assim como dos matrimônios e dos filhos, "há também o risco de querer procurar vocações sem discernimento adequado" ou ainda de “importar” vocações de outros países – “o que é terrível”, alertou o Pontífice. Por isso, o Papa sugeroi que se assuma a humildade, o serviço e a autenticidade como qualidades para responder "criativamente" à crise vocacional de uma Europa envelhecida. Ao direcionar para o caminho de uma Igreja em saída, o Papa refletiu:
Ao ser questionado sobre a preparação dos padres para o terceiro milênio, Francisco não hesitou em aconselhar:
“Eu pediria aos seminaristas uma coisa: sejam pessoas normais, sem pensar em ser ‘grandes apóstolos’ ou ‘devotos’. Sejam rapazes normais, capazes de tomar decisões sobre a sua vida na estrada. E, para isso, também são necessários superiores normais.”
O Papa, assim, fez referência à “hipocrisia de alguns superiores” que pode destruir o caminho de um jovem, citando dois exemplos práticos. Os superiores, continuou Francisco, “devem criar confiança” e acompanhar os jovens que são “uma espécie única”: “não somos todos iguais: temos carteiras de identidade diferentes", ilustrou o Pontífice.
O problema da migração: vergonha da humanidade
Durante a conversa com os confrades, Francisco também foi abordado sobre o tema da migração, “um problema da Europa”, já que países como a Itália, Chipre, Malta, Grécia e Espanha são os mais requisitados para recebê-los porque é onde estão localizados os primeiros portos. “Mas, depois, a Europa deve se encarregar”, disse o Papa, “para eliminar a cultura do descarte”: “estamos falando de uma das vergonhas da humanidade que entra na política dos Estados”, complementou o Pontífice.
Ao ser questionado sobre a ligação entre evangelização e mudanças climáticas, o Papa afirmou que “cuidar da casa comum já é 'evangelizar'. E é urgente. Se as coisas continuarem como estão agora, os nossos filhos não poderão mais viver em nosso planeta”. O pensamento final, então, foi sobre o caminho sinodal:
“Há consolações e desolações. Vou dar apenas um exemplo: nas primeiras sessões do Sínodo sobre a Amazônia houve muito foco na questão dos padres casados. Então, o Espírito também nos fez compreender que muitas outras coisas estavam faltando: catequistas, diáconos permanentes, o seminário para aborígines, sacerdotes que vão a outras dioceses ou que são transferidos dentro da mesma diocese. Tudo isso foi vivido em meio a consolações e desolações. Essa é a dinâmica espiritual do Sínodo.”
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