Milhares de nicaraguenses manifestam apoio ao episcopado
Cidade do Vaticano
Milhares de nicaraguenses manifestaram-se no sábado, 28, em Manágua, em solidariedade ao episcopado, acusado pelo governo de apoiar manifestações contra o presidente Daniel Ortega, que em três meses já deixaram 448 pessoas mortas.
Pela primeira vez, católicos, evangélicos e não-crentes caminharam lado a lado, cantando hinos e agitando bandeiras. A imagem da Virgem de Cuapa abriu a “Peregrinação por nossos bispos, defensores da verdade e da justiça”.
"Justiça!", "Liberdade!", "Cristo hoje, Cristo sempre!", "Bispo, meu amigo, as pessoas estão com você!", eram refrões gritados uníssonos pela multidão, que caminhou sem incidentes por 6,6 km, até a Catedral da capital Manágua. A manifestação foi convocada pelo “Movimiento de Autoconvocados”.
O clero passou a auxiliar as vítimas da repressão, abrindo também as portas das igrejas para acolhê-los, o que despertou a ira do governo, que passou a acusar os bispos de “golpistas”. Apoiadores do regime, passaram das ameaças às agressões físicas e profanações.
O movimento de protesto iniciado em 18 de abril contra uma reforma da aposentadoria, já descartada, rapidamente se ampliou para denunciar o confisco de poder por esse ex-líder guerrilheiro de 72 anos, no poder desde 2007, depois de já ter governado o país de 1979 a 1990.
Daniel Ortega é acusado de ter implantado com sua esposa Rosario Murillo, que ocupa o cargo de vice-presidente, uma ditadura marcada pela corrupção e pelo nepotismo.
Ele rejeitou na segunda-feira a ideia de renúncia em entrevista à emissora de TV Fox News, afirmando que pretendia ir até o final de seu mandato em 2021, enquanto nas ruas continua a ser exigida a sua renúncia e eleições antecipadas.
Demissão de médicos estatais
Quarenta médicos do Hospital estatal Escuela Oscar Danilo Rosales Argüello, localizado na cidade de León, foram demitidos por terem prestado atendimento a manifestantes feridos.
Associações de médicos e de pessoal ligado à saúde pediram a libertação imediata dos médicos encarcerados em instalações policiais e o fim imediato da perseguição, estigmatização e criminalização do exercício médico.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh), responsabilizaram o Governo da Nicarágua por “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de torturas e detenções arbitrárias”.
Sandinistas em apoio a Ortega
Paralelamente à manifestação de apoio aos bispos, milhares de sandinistas foram às ruas em apoio ao presidente Daniel Ortega, expressando repúdio aos “golpistas”.
À pé, em motos e em veículos, milhares de simpatizantes do governo, entre os quais funcionários públicos e membros da Policia Nacional, percorreram 5 km desde a estatal Universidade Nacional Autônoma de Nicarágua até a Rótula Hugo Chávez.
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